Claudete Leopoldino
Jéssica Cristina
Luiza Borges
Marcia Pereira
Maria Ricarte
Mariana Cuestas
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Fobia social
Artigo Referencial
FERNANDES, Gabrielly Cruvinel and TERRA, Mauro Barbosa. Fobia social: estudo da prevalência em duas escolas em Porto Alegre. J. bras. psiquiatr. [online]. 2008, vol.57, n.2, pp. 122-126. ISSN 0047-2085. http://dx.doi.org/10.1590/S0047-20852008000200007.
Fobia Social
INTRODUÇÃO
FERNANDES, Gabrielly Cruvinel and TERRA, Mauro Barbosa. Fobia social: estudo da prevalência em duas escolas em Porto Alegre. J. bras. psiquiatr. [online]. 2008, vol.57, n.2, pp. 122-126. ISSN 0047-2085. http://dx.doi.org/10.1590/S0047-20852008000200007.
Fobia Social
INTRODUÇÃO
Fobia pode ser definida como medo irracional que provoca a esquiva
consciente do objeto, da atividade ou da situação específica temida. A presença
ou a antecipação da entidade fóbica provoca grave sofrimento no indivíduo
afetado, que reconhece sua ação como excessiva. De toda maneira, a reação
fóbica acarreta perturbação da capacidade de funcionamento do indivíduo.
Sabe-se que a ansiedade social excessiva afeta comumente crianças,
adolescentes e adultos, comprometendo a sua qualidade de vida de maneira
incapacitante. As crianças, principalmente as mais jovens, podem não reconhecer
seus medos como exagerados ou irracionais. Assim, os critérios diagnósticos
diferem em alguns aspectos daqueles utilizados para os adultos e o papel dos
processos desenvolvimentos deve ser levado em consideração. As crianças se
envolvem em diferentes tipos de interação social, que diferem dos adultos, e as
habilidades cognitivas delas não permitem completa compreensão do transtorno.
Para as crianças e os adolescentes, a duração dos sintomas é crucial
para a distinção entre a disfunção psicológica e a timidez transitória, de
temores de avaliação social e da consequente inibição social que pode
caracterizar crianças e adolescentes no seu desenvolvimento. Para jovens com
menos de 18 anos, a duração dos sintomas deve ser de, no mínimo, seis meses,
enquanto para adultos este período não é necessário.
Em amostras clínicas, o diagnóstico de fobia social é mais comumente
feito em jovens do sexo masculino. Porém, em estudos epidemiológicos, as
mulheres são afetadas com maior frequência do que os homens.
A fobia social, na maior parte das vezes, inicia-se na adolescência,
tendo curso crônico e precedendo outras morbidades. As mais frequentes são
fobia simples e depressão maior, além de aumentar o risco para transtornos de
abuso do álcool. Segundo o National Comorbidity Survey (NCS), nos Estados
Unidos, 81% dos pacientes com fobia social têm alguma comorbidade. Os
transtornos comórbidos, de modo geral, são secundários do ponto de vista
cronológico.
Entretanto,
poucos adolescentes fóbico-sociais buscam tratamento. Os sintomas de ansiedade
social são manifestados nos adolescentes, frequentemente na escola.
Instrumentos práticos e validados para rastreamento e identificação de fobia
social são bastante valiosos para serem usados pela equipe escolar (educadores,
coordenadores, enfermeiras da escola). O reconhecimento dos transtornos de ansiedade conduz à melhora da qualidade de vida destes pacientes, podendo interferir no curso do alcoolismo e de outras comorbidades, uma vez que existem tratamentos farmacológicos e comportamentais específicos para estes transtornos.
Fobia Social
Definição e características epidemiológicas e clínicas.
A fobia social é definida como um temor pronunciado e persistente diante de uma ou mais situações sociais ou de atuação em público, na qual, a pessoa se vê exposta. O sujeito teme ou evita situações nas quais é possível a observação por parte de outras pessoas e quando isso ocorre teme que passe aos outros uma avaliação negativa. Observa-se que os sujeitos não demonstram dificuldades quando realizam suas tarefas em particular, tais comportamentos torna-se presente somente quando os outros estão observando-o.
Segundo CABALLO (1995) é preciso uma atenção redobrada na infância do sujeito, pois segundo as pesquisas, foi identificada uma porcentagem de 33 % de indivíduos que iniciaram o transtorno entre os 0-10 anos, concluindo que o transtorno muitas vezes costuma ser crônico e durar a vida toda, na qual a intervenção exigirá à modificação desses padrões de modo gradual, sobretudo a duração será mais prolongada.
Sujeitos com fobia social evitarão situações como: iniciar e manter conversações; marcar um encontro com alguém; falar com pessoas desconhecidas; ir a festas; fazer e receber elogios; falar em público (diante de grupos); escrever/trabalhar quando percebe que está sendo observado, etc.
Os sintomas somáticos mais frequentes são: palpitações, sudorese, tremores, tensão muscular, sensação de vazio n o estômago, boca seca, sentir calor/frio, dores de cabeça, entre outros.
HEIMBERG (1995) propõe a existência de alguns tipos de fobias:
Fobia social discreta: Consiste quando o indivíduo teme uma situação.
Fobia social não generalizada: Quando são temidas várias situações.
Fobia social generalizada: É diagnosticada quando o sujeito teme a maioria das situações.
Considera-se a possibilidade de adotar um sistema de classificação de três subtipos de fobias sociais: 1) tipo de atuação, 2) tipo de interação limitada e 3) tipo generalizado. Alguns autores como STEIN, WALKER e FORDE, (1994), prepuseram a inclusão do medo de falar em público como um subtipo específico da fobia social.
Bases teóricas do tratamento da fobia social
I. Condicionamento clássico, operante e por observação.
Os sintomas da fobia social constituem uma resposta condicionada adquirida por meio da associação do objeto fóbico e uma experiência aversiva. Uma vez que se tenha desenvolvido a fobia e evitado a situação fóbica que impede ou reduz a ansiedade condicionada, consequentemente será reforçado o comportamento evitado.
Essa evitação mantém a ansiedade, pois é difícil o sujeito aprender que a situação temida não é de fato tão perigosa quanto ele pensa ou antecipa.
HUGDAHL (1981) constata que 58% dos sujeitos que desenvolveram fobia social, adquiriram suas fobias em consequências de uma experiência direta, relatando uma timidez pré-mórbida.
II. Consciência pública de si mesmo.
A consciência pública de si mesmo sugere que os estímulos relativos à avaliação social podem ser mais destacados e que indivíduos podem reagir em maior grau frente aos resultados dos acontecimentos sociais.
III. Apresentação de si mesmo.
As pessoas experimentam ansiedade social quando estão presentes duas condições necessárias e suficientes. Primeira, a pessoa tem que estar motivada para causar a impressão determinada entre os demais, e a segunda condição necessária para produzir ansiedade é que o indivíduo acredite que não será capaz de transmitir as impressões que realmente deseja transmitir e, portanto, não será visto da maneira que deseja.
IIII. A vulnerabilidade
É a percepção que uma pessoa tem de si mesma, vendo-se sujeita a perigos internos e externos. Quando a vulnerabilidade está ativa, a informação que chega é processada em termos de fraqueza em vez de força, a sensação se mantém em distorcer dados contraditórios, pois o sujeito com fobia social está entre a ameaça social e avaliando constantemente a gravidade de uma ameaça em potencial a sua capacidade de enfrenta-la.
Resultados empíricos da eficácia dos tratamentos cognitivos comportamentais para a fobia social.
O tratamento cognitivo-comportamental da fobia social é dividido em quatro tipos de procedimentos: 1)estratégias de relaxamento: Baseia-se na noção de que essas técnicas proporcionarão aos pacientes meios para enfrentar suas ansiedades. 2) treinamento em habilidades sociais: Refere-se a um grupo de técnicas que ensina comportamentos interpessoais, com o propósito de melhorar a competência dos indivíduos. 3)exposição: São as situações temidas da vida real, possuindo um componente básico para a redução eficaz do medo. 4) reestruturação cognitiva: Terapia cognitiva
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Terapia cognitivo-comportamental da fobia social
Lígia M ItoI; Miréia C RosoI;
Shilpee TiwariII; Philip C KendallII; Fernando R AsbahrI
IInstituto de Psiquiatria, Hospital das Clínicas,
Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo (SP), Brasil
IITemple University, Filadélfia (PA), EUA
IITemple University, Filadélfia (PA), EUA
RESUMO
OBJETIVO: Este artigo revisa aspectos relevantes
da fobia social e os estágios de tratamento através da terapia
cognitivo-comportamental em crianças, adolescentes e adultos.
MÉTODO: A partir do banco de dados Medline, realizou-se revisão da literatura publicada a respeito do tratamento da fobia social por meio da terapia cognitivo-comportamental.
RESULTADOS: Revisão da literatura sugere que a fobia social é uma condição prevalente e crônica, caracterizada por inibição social e timidez excessiva. Tanto o diagnóstico como o tratamento desse transtorno são comumente determinados pelo nível de incômodo e pelo prejuízo funcional. Estudos populacionais indicam taxas de prevalência ao longo da vida para a fobia social entre 2,5 e 13,3%. As principais técnicas utilizadas na terapia cognitivo-comportamental para a fobia social são descritas e exemplificadas em um relato de caso.
CONCLUSÕES: Há consenso geral na literatura de que a terapia cognitivo-comportamental é eficaz tanto para o tratamento de jovens como de adultos com fobia social. Uma vez que a fobia social com freqüência tem início precoce, a identificação de crianças com risco acentuado para o desenvolvimento de fobia social deve ser priorizada em investigações futuras.
MÉTODO: A partir do banco de dados Medline, realizou-se revisão da literatura publicada a respeito do tratamento da fobia social por meio da terapia cognitivo-comportamental.
RESULTADOS: Revisão da literatura sugere que a fobia social é uma condição prevalente e crônica, caracterizada por inibição social e timidez excessiva. Tanto o diagnóstico como o tratamento desse transtorno são comumente determinados pelo nível de incômodo e pelo prejuízo funcional. Estudos populacionais indicam taxas de prevalência ao longo da vida para a fobia social entre 2,5 e 13,3%. As principais técnicas utilizadas na terapia cognitivo-comportamental para a fobia social são descritas e exemplificadas em um relato de caso.
CONCLUSÕES: Há consenso geral na literatura de que a terapia cognitivo-comportamental é eficaz tanto para o tratamento de jovens como de adultos com fobia social. Uma vez que a fobia social com freqüência tem início precoce, a identificação de crianças com risco acentuado para o desenvolvimento de fobia social deve ser priorizada em investigações futuras.
Descritores: Fobia social; Terapia cognitiva
comportamental; Timidez; Ansiedade; Revisão de literatura
Introduction
A fobia social (FS) representa um problema grave de saúde mental com
características incapacitantes em suas diferentes formas de apresentação. A
mais comum é o medo de ser humilhado ou ridicularizado em situações sociais por
apresentar atitudes inadequadas ou sintomas de ansiedade como tremor, rubor,
sudorese excessiva e desatenção. A interação social torna-se mais ameaçadora se
for associada a um descontrole motor observável em comportamentos como beber,
comer ou escrever.
A FS pode ser caracterizada como generalizada ou circunscrita,
dependendo da quantidade ou diversidade das situações sociais temidas.
Estima-se prevalência entre 2,5 e 13,3% de ambos os tipos, para toda a vida em
estudos populacionais americanos.1,2 Em adultos, é mais freqüente em
mulheres e tem início na adolescência, embora muitos adultos relatem sintomas
desde a infância. Em crianças, é tão comum no sexo feminino quanto no
masculino.3 Indivíduos com FS, independentemente da
faixa etária, têm maior risco de apresentar outros diagnósticos psiquiátricos
como transtorno de ansiedade generalizada, depressão, fobia específica e
dependência de substâncias psicoativas como álcool e tranqüilizantes.3-5 Além disso, muitos indivíduos apresentam características do transtorno
evitativo de personalidade (TEP), um padrão duradouro de esquiva do contato
interpessoal, que é considerado por alguns autores como a forma mais grave da
FS, com maior tempo de doença e de número e variedade de situações sociais
temidas.6
Múltiplos são os possíveis fatores relacionados à etiologia da FS.
Estudos familiares demonstram um padrão de agregação familiar de FS,
principalmente do subtipo generalizada. A maior incidência de FS em parentes de
primeiro grau de indivíduos acometidos sugere que, pelo menos parcialmente,
esse transtorno seja geneticamente herdado.7 Estudos genéticos mais recentes sugerem a possibilidade de herança
poligênica, com genes candidatos em pesquisa.8 Em estudos de neuroimagem funcional, realizados por meio de ressonância
magnética (RMN) ou tomografia por emissão de pósitrons (PET), observa-se a
hiperestimulação de estruturas temporais (amígdala, córtex pré-frontal,
hipocampo e núcleo estriado) em resposta a imagens aleatórias de faces humanas
– o que sugere um sistema límbico hipersensível não somente a estímulos
nocivos, mas também a estímulos considerados afetivamente neutros.8,9
Além da vulnerabilidade biológica citada em estudos genéticos e
neurobiológicos,10,11 uma área muito estudada é a relação
entre inibição comportamental (IC) – que inclui introversão, timidez, esquiva e
medo de pessoas e objetos estranhos - em bebês e crianças pequenas e FS na
adolescência ou início de vida adulta.12 A IC é um traço de temperamento definido como a tendência do indivíduo a
afastar-se frente a novidades. Quando presente, aumenta em quatro a cinco vezes
o risco de a criança ou o adolescente desenvolver FS. No entanto, a presença de
traços de temperamento como timidez e IC não são suficientes para o desenvolvimento
de FS, pois nem todos os que apresentam tais características desenvolvem o
transtorno, o que reafirma a importância da associação dos fatores ambientais e
biológicos em sua etiologia.13 Além disso, pesquisas em
desenvolvimento infantil correlacionam inibição social precoce com respostas de
proteção e controle exagerados dos pais. Estas, por sua vez, reforçam o
retraimento da criança e conseqüentemente dificultam a exposição a situações
sociais, formando um ciclo vicioso.14
Tratamento
As abordagens terapêuticas empiricamente testadas e reconhecidas como
eficazes para a FS são a farmacoterapia e a terapia cognitivo-comportamental
individual (TCCI) e em grupo (TCCG). Devido ao enfoque do presente artigo,
descreveremos a seguir as abordagens de terapia cognitivo-comportamental (TCC)
em crianças, adolescentes e adultos.
Terapia cognitivo-comportamental
1. Modelo teórico
De acordo com o modelo cognitivo-comportamental, indivíduos com
ansiedade percebem o mundo como um lugar perigoso, uma ameaça em potencial que
lhes exige constante vigilância. Portadores de FS são extremamente sensíveis a
pistas que denotem a possibilidade de avaliação negativa de outras pessoas. A
excessiva atenção a estas pistas produz autocrítica exagerada e percepção
distorcida dos próprios comportamentos que poderiam passar despercebidas.
Assim, um breve silêncio na interação social, por exemplo, é interpretado como
desinteresse, e a recusa de um convite pode significar constante isolamento e
solidão.
A interpretação, ou significado, de uma experiência é permeada por
crenças ou valores que o indivíduo constrói. Clark e Wells descrevem as
principais crenças de pacientes com FS, que são relacionadas ao medo de cometer
erros e ser rejeitado, e de ser incapaz, anormal e inferior.15 Sob a lente das crenças distorcidas, estímulos neutros são erroneamente
interpretados como negativos, enquanto aqueles positivos e seguros são
ignorados. Memórias de situações de sucesso, com uso de recursos adequados de
enfrentamento no passado, são subestimadas ou pouco valorizadas. Tal percepção
distorcida pode desencadear sintomas físicos, comportamentais e cognitivos, que
geram desconforto, reforçam a auto-imagem de inadequação e sentimentos de
humilhação e contribuem para o afastamento do convívio social. A esquiva e o
isolamento intensificam a atenção autofocada e impedem a desconfirmação do
caráter ameaçador atribuído ao ambiente e às relações sociais.
2. Características
A TCC é educativa e de natureza focal. Prioriza as discussões práticas
realizadas nas sessões e nas tarefas de casa. O terapeuta tem postura
colaborativa e ativa no tratamento. Estudos indicam que, para a FS
circunscrita, 12 a 16 sessões semanais em grupo ou individual são suficientes
para a redução significativa da sintomatologia. Já para a FS generalizada, a
resposta ao tratamento depende do número de comorbidades e da gravidade dos
sintomas, sendo o tratamento, em geral, mais prolongado e os resultados mais
limitados.16
3. Avaliação
Antecedendo a terapia propriamente dita, colhem-se informações sobre a
história da doença, seu início e tempo de duração; história familiar e
predisposição biológica; experiências familiares e escolares, relacionamentos
sociais, afetivos, sexuais; sintomas fisiológicos, cognitivos e
comportamentais; identificação das comorbidades; necessidade de avaliação
psiquiátrica e do uso de medicações; situações desencadeantes de sintomas e
grau de interferência e prejuízo desses na vida do indivíduo; fatores
ambientais e influência familiar; e habilidades sociais pré-existentes.
Os dados colhidos na avaliação são determinantes no planejamento do
tratamento. A terapia deve inicialmente priorizar os sintomas que causem maior
grau de prejuízo. Dependendo da gravidade da FS, do grau de esquiva e da
disponibilidade do paciente, indica-se terapia grupal ou o formato individual.
4. Psicoeducação
É fundamental que se inclua no início da terapia uma sessão para
esclarecimento de todas as informações que o paciente necessite sobre seu
transtorno e o tratamento. A necessidade de associação com a terapia
farmacológica e a importância da inclusão da família no tratamento devem ser
aqui abordadas. A orientação familiar deve incluir esclarecimentos sobre como
proceder diante das dificuldades na interação com o paciente.
5. Objetivos
Terapeuta e paciente determinam os objetivos da terapia. Os mais comuns
incluem a redução da ansiedade antecipatória, sintomas fisiológicos próprios da
ansiedade, das cognições negativas que mantêm as crenças disfuncionais, da
esquiva fóbica e melhora das habilidades sociais. Esses objetivos devem ser
reavaliados ao longo e no final do tratamento. Particularmente em crianças e
adolescentes, além de reduzir a ansiedade social, objetiva-se aumentar a
auto-estima, ajudando o jovem a ampliar sua confiança na comunicação em
situações sociais. O foco do tratamento, cujas etapas contam com participação
ativa dos pais/responsáveis, é o aumento do repertório de exposição do jovem às
diferentes situações, com várias pessoas e atividades,17,18 levando a um aumento da sensação de domínio em situações sociais.
Técnicas cognitivo-comportamentais
1. Treino de habilidades sociais (THS) e de
assertividade (TA)
A meta essencial é fornecer ao paciente um repertório amplo e variado de
comportamentos sociais mais adaptados, diminuindo a passividade e a sensação de
impotência ou raiva, considerando as características do paciente e o grupo
social em que ele está inserido.
As principais dificuldades comumente descritas pelos pacientes com FS a
serem abordadas incluem: iniciar, estabelecer, manter e finalizar uma conversa;
manter o foco e o interesse no assunto; tolerar silêncios; eleger temas e saber
discorrer sobre o mesmo; mudar o assunto se necessário, estabelecer e manter
amizades.19 Essas dificuldades são abordadas
durante o THS e o TA.
O treino deve ser iniciado primeiramente nas consultas e em ambientes
familiares, e depois no social mais amplo, como com amigos e vizinhos.
2. Abordagem cognitiva
A reestruturação cognitiva envolve, a princípio, a detecção de
pensamentos distorcidos, de crenças condicionais e da crença central do
paciente, orientando assim o terapeuta na compreensão sobre o funcionamento
cognitivo do paciente.15
Um diário deve ser utilizado para auxiliar o paciente a registrar seus
pensamentos automáticos distorcidos e a respectiva ansiedade em uma situação
social. A seguir, o paciente é orientado a observar estes pensamentos com
distância e questioná-los, de modo a perceber suas distorções e corrigi-los de
maneira a baixar a ansiedade gerada por eles. O desafio dos pensamentos
automáticos distorcidos é feito através da técnica de questionamento socrático,
com a revisão de evidências que confirmem ou não as hipóteses negativas do
paciente.
Ao questionar os pensamentos é possível determinar os tipos de erros
lógicos associados. Os erros mais comuns na FS são: leitura mental ( "ele
me acha incompetente "); adivinhação e catastrofização
( "se eu tiver que assinar o meu nome, não vou conseguir escrever "); e personalização ( "eles não estão me dando atenção.
Devo ter falado besteira ").20
O exercício de identificação, questionamento e modificação dos
pensamentos disfuncionais negativos que geram e mantêm a ansiedade fóbica é,
por si só, um recurso que permite ao paciente reconhecer a relação entre os
pensamentos e os seus sintomas. Além disso, essa aprendizagem capacita o
paciente a reduzir a interferência negativa dos pensamentos sobre as emoções,
aumentando assim seu controle e autoconfiança.
Uma vez identificados os pensamentos distorcidos, é possível encontrar a
crença central subjacente que gerou e mantém tais pensamentos, bem como as
crenças condicionais e estratégias compensatórias que o paciente utiliza para
lidar com sua crença. Para isso, questiona-se o paciente a respeito do
significado dos pensamentos que ele identificou: "O que significa esse
pensamento para você, o que quer dizer a seu respeito? ".
Alguns autores acreditam que a crença central característica da FS é
autodepreciativa ( "sou incompetente, insignificante ").15 Por isso, são construídas crenças condicionais
ao longo da vida que buscam "encobrir " essa autodepreciação, do tipo
"se eu mostrar minha insegurança, ruborizando, serei humilhado "; "se eu não for impecável no meu comportamento, serei
desprezado ". A estratégia compensatória para lidar com este
tipo de crença envolve a observação constante e excessiva do próprio
comportamento, de modo a não permitir nenhum deslize e uma expectativa
exagerada do próprio desempenho.
A modificação das crenças condicionais, das estratégias compensatórias,
bem como da crença central, é feita utilizando-se diferentes procedimentos que
devem ser escolhidos de acordo com as características e objetivos de cada caso.
3. Manejo de estresse e relaxamento
As técnicas de manejo de estresse e relaxamento são utilizadas no tratamento
da FS com o objetivo de fazer com que o paciente aprenda a ter maior controle
das respostas fisiológicas próprias da ansiedade. Dessa forma, tais técnicas
são bastante utilizadas no tratamento de todos os quadros ansiosos.
No manejo do estresse, o paciente é orientado a identificar os sinais
que indicam um aumento de sua ansiedade e a utilizar a distração e/ou um
exercício respiratório de maneira a não permitir que a ansiedade aumente.
As técnicas de relaxamento em geral são úteis na diminuição da ansiedade
basal e também favorecem a percepção do autocontrole da ansiedade. A mais
utilizada é a de Jacobson,21 que orienta o paciente a observar cada
grupo muscular de maneira a identificar a tensão e propiciar o relaxamento do
mesmo.
4. Exposição
A exposição às situações temidas reduz a ansiedade e o comportamento
fóbico. Pode ser feita por meio do confronto das situações ao vivo ou na
imaginação.
Paciente e terapeuta identificam todas as situações consideradas
causadoras de ansiedade. Uma vez listadas, as situações são classificadas
hierarquicamente de acordo com o grau de ansiedade que geram, começando com
situações que causam menos ansiedade, até as mais temidas de serem enfrentadas.
O paciente é orientado, então, a enfrentar as situações que estão no início
desta lista e exercitar-se repetidamente, até que sua ansiedade diminua
(fenômeno denominado habituação). A exposição a cada uma das situações deve ser
sistemática, ou seja, muito freqüente, e por tempo prolongado para que a
habituação possa ocorrer.
A utilização de um diário é útil para que o paciente avalie sua
ansiedade antes e depois da exposição, registrando dificuldades encontradas. O
diário também auxilia o paciente a observar o progresso conseguido com a
exposição e a respectiva diminuição da ansiedade.
A exposição ao vivo consiste em buscar deliberadamente o confronto com
situações reais que gerem ansiedade. Algumas tarefas podem ser realizadas por
meio da imaginação, a chamada exposição na imaginação ou dessensibilização
sistemática. Este procedimento, muitas vezes, é útil para que o paciente
aprenda a expor-se antes de passar para situações reais. No tratamento da FS,
algumas dificuldades na realização da terapia de exposição são esperadas.
Algumas situações que eliciam ansiedade são, muitas vezes, imprevisíveis e de
curta duração, o que pode impedir a ocorrência da habituação. Assim, é
importante ter cuidado na formulação da lista que definirá a hierarquia das
situações de exposição para facilitar a execução da tarefa.
A terapia de exposição em grupo facilita a realização de alguns
exercícios entre os membros do próprio grupo e auxilia na criação de situações
geradoras de ansiedade sem ter que, necessariamente, contar com o acaso.
5. Programação das tarefas de casa
Durante todo o tratamento, parte da sessão é utilizada para programar e
averiguar as tarefas de casa. Estas devem ser praticadas diariamente, usando
como modelo o que foi aprendido nas sessões. A necessidade de cumprimento das
tarefas deve estar bem estabelecida, assim como a sua relação com o progresso
da terapia.
6. Término
A terapia em seu formato semanal deve ser encerrada quando a maioria dos
sintomas tiver sua intensidade reduzida significativamente, causando
interferência mínima na rotina de vida do paciente. Nesta fase, faz-se a
revisão das técnicas aprendidas e orienta-se para a prática contínua das
mesmas, visando-se, assim, a manutenção da melhora clínica. Deve-se, também,
atentar para recaídas e seus potenciais desencadeantes. Finalmente, as
consultas podem ser espaçadas ao longo de um período, até a alta propriamente
dita.
Terapia cognitivo-comportamental em grupo (TCCG)
Heimberg et al. demonstraram que a TCCG é um tratamento eficiente para
FS quando comparada a grupo controle de lista de espera e tratamentos não
específicos com suporte emocional.22 Embora não se mostre superior ao
formato individual, a impressão clínica sugere que é uma alternativa eficaz
para diversos pacientes. As vantagens em relação à terapia individual incluem:
membros compartilhando a mesma dificuldade e a própria vivência grupal
promovendo exposição ao vivo, evidências contra distorções cognitivas,
compromisso público de mudança e aprendizagem vicariante.
Alguns critérios devem ser considerados, especialmente, para a
composição do grupo. O grupo deve ser balanceado por gênero, idade e gravidade
da FS. Pacientes com depressão e ansiedade graves, com outro transtorno
primário que não FS, com transtorno de personalidade associado, e que sejam
excessivamente hostis e exigentes, com risco de desenvolver respostas de raiva
em defesa ao medo da interação social, não se beneficiam desta terapêutica e
devem ser excluídos. São indicados para compor a TCCG pacientes com gravidade
semelhante e que apresentem desempenho interpessoal adequado frente a situações
que desencadeiem ansiedade.
O número ideal de pacientes para compor o grupo é em torno de seis, e o
de terapeutas, dois. O tratamento deve conter em torno de 12 sessões semanais,
cada uma com duração de duas horas, seguindo programação estruturada para cada
etapa da terapia. As técnicas cognitivo-comportamentais são semelhantes às
utilizadas em sessões individuais.
Eficácia da terapia cognitivo-comportamental
Entre as diversas modalidades de psicoterapia, a TCC é o tratamento mais
eficaz para a FS.23 Entretanto, há ainda limitação
importante. Nos diversos estudos realizados, avaliações ao final do tratamento
e durante o seguimento indicam que muitos pacientes não atingem mais critério
diagnóstico para FS, porém ainda apresentam dificuldades significativas em situações
sociais, podendo ser consideradas manifestações subsindrômicas desse
transtorno.24
Diversos estudos examinam detalhadamente as abordagens cognitiva e
comportamental separadamente, a fim de determinar o componente essencial de
cada tratamento. Recentemente, Clark et al. demonstraram que um programa de
terapia cognitiva (TC) proposto para aumentar a recuperação total dos 62
pacientes fóbicos sociais foi significativamente superior à associação de
técnicas de exposição e relaxamento ao final do tratamento e durante seguimento
de um ano pós-tratamento.25 No seguimento, 84% dos pacientes que
receberam apenas a TC deixaram de preencher critério diagnóstico, enquanto
apenas 42% do grupo que recebeu exposição e relaxamento atingiram essa
condição.
Clark et al. também compararam TC ao tratamento com
fluoxetina/auto-exposição e placebo/auto-exposição.26Stangier et al.
e Mörtberg et al. comparam a TC individual à TCCG.27,28 Em todos os estudos, o programa de TC mostrou-se superior à exposição e,
nos dois últimos, a TCCG não obteve resultados tão favoráveis quanto os de
Clark et al.26 No estudo de Stangier et al., pacientes
que receberam TC e TCCG apresentaram melhores resultados nas medidas após o
tratamento quando comparados ao grupo controle de lista de espera.27Entretanto,
no seguimento, os sujeitos que receberam TC individual apresentaram resultados
superiores aos sujeitos que receberam TCCG.
Relato de caso
André*, 10 anos, sexo masculino,
apresentava ansiedade e esquiva social por um longo tempo. Embora gostasse de
brincar com amigos, não se sentia confortável se a brincadeira envolvesse mais
do que uma criança. Sempre se recusava a ir brincar na casa de um amigo, quando
convidado. Comumente queixava-se para sua mãe de não ter amigos. Freqüentar a
escola também lhe causava sofrimento, sentindo mal-estar já no caminho para a
escola, com dores de estômago e vontade de vomitar. Na lanchonete, não
conseguia comer por sentir-se nervoso perto de outras crianças – ele achava que
iria vomitar e que seus amigos ririam dele. Esse desconforto piorou a tal
ponto, que André passou a recusar a ir para a escola, comer em restaurantes, ou
estar em qualquer situação social, exceto quando acompanhado de seu pai ou de
sua mãe.
André tinha história familiar de quadros psiquiátricos. Seu pai sofria
de transtorno de ansiedade generalizada e sua mãe de depressão. Seus primeiros
anos de desenvolvimento foram normais, embora extremamente tímido desde seu
nascimento. Enfrentar situações novas sempre foi um problema para ele. Após
indicação de seu pediatra, André foi avaliado por um psiquiatra infantil. A
informação obtida durante a entrevista inicial foi compatível com o diagnóstico
de FS acompanhado de esquiva comportamental. Nenhum sintoma de depressão
clínica significativo foi detectado.
A estratégia terapêutica adotada consistiu de 12 sessões de TCC, que
incluiu três componentes principais: 1) treino de relaxamento nas três primeiras
semanas, com prática de tarefa de casa entre as sessões, usando um CD de
relaxamento; 2) treino de habilidades sociais para aumentar a adesão, incluindo
habilidades básicas de conversação, como se apresentar, fazer perguntas
simples, estabelecer contato visual, manter distância física apropriada e
manter o mesmo volume de voz; e, 3) tarefas de exposição ao vivo, tais como
conversas semanais com colegas, desenvolvidas para permitir a prática de
habilidades de conversação. Seguindo os guias de prática de tratamento de
exposição com jovens ansiosos, as situações foram treinadas nas sessões com o
terapeuta antes de serem praticadas em lugares específicos, por meio de
exposições na imaginação e "role-playing ". André foi encorajado a antecipar dificuldades que ele pudesse
encontrar e junto com o terapeuta repassou as estratégias de enfrentamento
eficazes para lidar com sua ansiedade durante as tarefas de exposição. Nestas,
foi importante utilizar estímulos provocadores de ansiedade que mais se
assemelhassem às situações reais. Por exemplo, para a tarefa ser genuína e
realmente desencadear ansiedade, foram escolhidas situações nas quais muitas
crianças estivessem presentes. Um restaurante local perto do consultório do
terapeuta foi um dos lugares utilizados para a tarefa de exposição ao vivo.
Acompanhado por seu terapeuta, André treinou cumprimentar outras crianças, e
ter breves conversas com alguns deles. Estas tarefas de exposição iniciais
ajudaram-no a estabelecer uma noção de domínio e sucesso. Uma vez obtido
sucesso nessas tarefas, passou a praticar interações sociais em outras
situações de maior grau de dificuldade, nas quais o terapeuta não estava sempre
presente. Quando o tratamento progrediu, os pais de André foram informados
sobre as estratégias utilizadas, especialmente sobre as tarefas de exposição.
Algumas vezes, os pais foram incluídos, acompanhando André e o terapeuta nas
tarefas de exposição ao vivo. O envolvimento dos pais também foi necessário
para as tarefas de exposição prescritas entre as sessões, tais como quando um
amigo vinha visitá-lo em casa ou quando tivesse um convite para um aniversário.
O terapeuta ensinou aos pais estratégias de solução de problemas para ajudar
André a enfrentar possíveis situações de desconforto, assim como qualquer desconforto
que eles pudessem sentir nas situações desencadeantes de ansiedade.
Após o final do tratamento, muitos ganhos positivos foram observados. O
terapeuta notou que André havia alcançado um nítido progresso, uma vez que seus
níveis de desconforto nas situações sociais haviam decrescido
consideravelmente. Além disso, houve um aumento significativo no número de
situações sociais que ele participava, incluindo jogar futebol com vizinhos da
rua, ir a festas de aniversário de colegas e, no final, a passar uma tarde
inteira na casa de amigo, demonstrando que ele não evitava mais situações
sociais. Este foi logo considerado seu melhor amigo. Na última sessão, o
terapeuta conversou com André e seus pais sobre planos para prevenção de
recaídas para garantir a manutenção dos ganhos do tratamento.
*André é um pseudônimo utilizado
para manter a confidencialidade.
Conclusões
A TCC constitui tratamento eficaz para pacientes com FS. Na TCCG, um
maior número de pacientes é atendido por um terapeuta, diminuindo, assim,
significativamente, os custos do tratamento. Além disso, a abordagem grupal,
por si só, facilita a exposição ao vivo. Entretanto, a superioridade da TCCG
sobre a TCCI não está estabelecida em estudos científicos.
Pacientes com quadro clínico do subtipo generalizado, de longa duração e
com transtornos comórbidos, requerem terapia individualizada. Para estes, mesmo
o tratamento combinado com a farmacoterapia pode ser insuficiente para a
eliminação completa dos sintomas, restando um quadro residual que pode
facilitar recaídas. Nesses casos, os tratamentos baseados em evidência empírica
não apresentam respostas satisfatórias, tornando-se necessário o uso alternado
de variadas terapêuticas consideradas eficazes, e por períodos prolongados. A
combinação com a farmacoterapia e com variadas modalidades de TCC para esses
pacientes é um campo de pesquisa promissor e merece investigação.
Em se tratando de uma doença que pode incidir precocemente, a
identificação de crianças com alto risco para o desenvolvimento de ansiedade
social cria oportunidades de prevenção da FS ao longo da infância e
adolescência. Pais, professores, médicos pediatras e psicólogos que atuam com
jovens poderiam ser educados para alterar a abordagem em relação a elas, de
forma a lhes trazer benefícios. A disseminação de manuais de auto-ajuda e de
informação para adolescentes e adultos jovens pode ser outra maneira de
prevenir o agravamento da FS. A prevenção pode reduzir o sofrimento que a
ansiedade social pode causar e ser uma alternativa terapêutica menos custosa no
futuro.
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FOBIA
SOCIAL: O QUE É? TRATAMENTO
Terapia cognitivo-comportamental da fobia social:
modelos e técnicas
Cognitive-behavioral therapy of social phobia:
models and techniques
Terapia cognitivo-comportamental de la fobia
social: modelos y técnicas
Gustavo J. Fonseca D'El ReyI; Carla
Alessandra PaciniII
IPsicólogo. Especialista. Coordenador e pesquisador
do Programa de Fobia Social do Centro de Pesquisas e Tratamento de Transtornos
de Ansiedade – São Paulo-SP
IIPedagoga. Especialista. Pesquisadora do Programa de Fobia Social do Centro de Pesquisas e Tratamento de Transtornos de Ansiedade – São Paulo-SP
IIPedagoga. Especialista. Pesquisadora do Programa de Fobia Social do Centro de Pesquisas e Tratamento de Transtornos de Ansiedade – São Paulo-SP
RESUMO
A fobia social é um dos transtornos mentais mais prevalentes na
população geral. As principais formas de tratamento são a psicoterapia e a
farmacoterapia. Este artigo tem como objetivo realizar uma breve revisão
bibliográfica dos mais importantes modelos e técnicas cognitivas e
comportamentais da fobia social. Os modelos antigos - modelo de déficit de
habilidades sociais, modelo de crenças irracionais, modelo da vulnerabilidade
cognitiva e os modelos integrativos - serão revisados brevemente. Serão
apresentadas as técnicas de tratamento - como a exposição, reestruturação
cognitiva, técnicas de relaxamento e treino de habilidades sociais. Estudos de
metaanálise sobre a eficácia da terapia cognitivo-comportamental no tratamento
da fobia social também serão descritos.
Palavras-chave: fobia social, terapia cognitivo-comportamental, tratamento.
ABSTRACT
Social phobia is a widespread mental disorder in the general population.
The main forms of treatment are psychotherapy and pharmacotherapy. This article
has as objective to carry out a brief bibliographical review of the most
important cognitive and behavior models and techniques of social phobia. The
old models - social skills deficit model, irrational ideas model, cognitive
vulnerability model and the integrative models, will be briefly reviewed.
Treatment techniques such as, exposure, cognitive restructuring, relaxation
techniques, and social skills training will be presented. Meta-analysis studies
about the efficacy of the cognitive-behavioral therapy in the treatment of
social phobia will be described.
Key words: Social phobia, cognitive-behavioral
therapy, treatment.
RESUMEN
La fobia social es uno de los trastornos mentales más prevalentes en la
población general. Las principales formas de tratamiento son la psicoterapia y
la farmacoterapia. Este artículo posee como objetivo realizar una breve
revisión bibliográfica de los más importantes modelos y técnicas cognitivas y
comportamentales de la fobia social. Los modelos antiguos - modelo de déficit
de habilidades sociales, modelo de creencias irracionales, modelo de la
vulnerabilidad cognitiva y los modelos integrativos - serán revisados
brevemente. Serán presentadas las técnicas de tratamiento - como la exposición,
reestructuración cognitiva, técnicas de relajamiento y entrenamiento de
habilidades sociales. Estudios de metaanálisis sobre la eficacia de la terapia
cognitivo-comportamental en el tratamiento de la fobia social también serán
descritos.
Palabras-clave: fobia social, terapia cognitivo-comportamental, tratamiento.
A fobia social é considerada um dos transtornos mentais mais prevalentes
na população geral (Kessler, McGonagle, Zhao, Nelson, Hughes, Eshleman,
Wittchen & Kendler, 1994; Magee, Eaton, Wittchen, McGonagle & Kessler,
1996). O termo fobia social ou transtorno de ansiedade social é usado para a
ansiedade intensa em situações sociais e de desempenho, que leva ao sofrimento
e perdas de oportunidades (D'El Rey, 2001).
Segundo o DSM-IV-TR (APA, 2002), a fobia social é caracterizada por um
medo acentuado e persistente de uma ou mais situações sociais ou de desempenho.
A pessoa teme agir de um modo ou mostrar sintomas de ansiedade que lhe sejam
humilhantes e embaraçosos, e a exposição à situação social temida provoca uma resposta
de ansiedade intensa, que pode chegar a um ataque de pânico. A pessoa
geralmente evita estas situações ou as suporta com intenso sofrimento. A fobia
social apresenta significativa interferência nas rotinas de trabalho,
acadêmicas e sociais e/ou sofrimento acentuado por ter a fobia.
O medo social na grande maioria das vezes está associado às situações de
desempenho, como falar em público, as interações sociais do dia-a-dia, como ir
a uma festa, uma entrevista de emprego, etc. (Furmark, Tillfors, Stattin,
Ekselius & Fredrikson, 2000; Stein, Torgrud & Walker, 2000). As pessoas
diagnosticadas como fóbicas sociais apresentam uma hipersensibilidade a
criticas, mantêm uma avaliação negativa a respeito de si mesma, sentimentos de
inferioridade, e apresentam grande dificuldade em serem assertivas (Lamberg,
1998; Stopa & Clark, 1993).
MÉTODO
Realizamos uma busca bibliográfica pela internet através do Medline,
Psycinfo e do Lilacs (todos os anos disponíveis), com as palavras-chave: social phobia, social anxiety disorder, cognitive-behavioral therapy,
psychotherapy, treatment, models, exposure, cognitive restructuring, relaxation
techniques, social skills training, meta-analysis. Procuramos incluir os artigos mais
recentes em cada subtópico do presente trabalho, embora alguns artigos mais
antigos (década de 70 e 80) tenham sido incluídos devido a sua relevância no
subtópico.
PRINCIPAIS MODELOS COGNITIVOS E COMPORTAMENTAIS DA
FOBIA SOCIAL
Modelos antigos
Modelos mais antigos de explicação da fobia social se focalizaram no
condicionamento clássico e postularam que uma experiência traumática, como um
embaraço momentâneo em uma situação social, poderia ser responsável pelo início
da fobia (Öst & Hugdahl, 1981) - por exemplo, um aluno ficar muito nervoso
ao ter que ler um texto diante dos demais alunos em sala de aula. Este fato
poderia fazer com que o referido aluno não mais quisesse ler/falar em público.
Hofmann, Ehlers e Roth (1995) relataram que estas experiências traumáticas têm
sido reportadas por pessoas com ansiedade severa ao falar em público, porém em
quase todos os casos ela ocorreu depois que os sintomas fóbicos sociais já eram
proeminentes na pessoa. Devido a isto, pode-se dizer que tais experiências
negativas eram já uma conseqüência da fobia, e não o início do transtorno.
Déficit de habilidades sociais
Esta teoria postula que indivíduos com fobia social sofrem de um grande
déficit nas habilidades sociais, como, por exemplo, iniciar uma conversa com
uma pessoa estranha, comportar-se em uma entrevista de emprego, comportamentos
de paquera, etc. Deficiências nas habilidades sociais podem levar uma pessoa a se
comportar de uma forma inadequada em um primeiro encontro romântico e isto
deixá-la em uma situação embaraçosa, por exemplo. A falta de habilidade social
pode levar o indivíduo a evitar situações sociais onde ela (habilidade) possa
ser essencial para um comportamento adequado e efetivo, como uma entrevista de
emprego. Os estudos relatam que existe uma alta incidência de déficits de
habilidades sociais em pacientes com diagnóstico de fobia social, e que este
fato seria pelo menos responsável pela manutenção do quadro fóbico (Mersch,
1995; Öst, Jerremalm & Johansson, 1981).
Crenças irracionais
Para Ellis (1962), as crenças irracionais são o centro dos transtornos
neuróticos. Esse autor teorizou que a ansiedade social poderia ser explicada
pelas crenças irracionais que a pessoa tem - por exemplo, a crença de que temos
sempre que causar uma boa impressão para sermos aceitos pelas pessoas. Outro
tipo de crença irracional é a de que temos sempre que ter um desempenho
perfeito em determinada situação para mostrarmos o nosso valor como pessoa.
Como conseqüência, as pessoas que mantêm estes tipos de crença tendem a se
cobrar demais, querendo sempre ter um desempenho perfeito, sem erros, chegando
a uma tentativa extrema de perfeição. Este alto grau de exigência leva a um
alto nível de ansiedade na execução do comportamento e de frustração quando
algo não sai como planejado pelo indivíduo.
Vulnerabilidade cognitiva
Beck, Emery e Greenberg (1985) teorizaram que existe uma vulnerabilidade
cognitiva nos pacientes com fobia social, ou seja, estes pacientes tendem a
interpretar de forma errônea as situações sociais e seu próprio desempenho.
Conforme Beck, Emery e Greenberg (1985); Stopa e Clark (1993); Taylor,
Woody, Koch, McLean, Patterson e Anderson (1997), o medo central na fobia
social é o de ser o foco das atenções, de expor suas fraquezas e em
conseqüência disto ter seu desempenho avaliado de forma desfavorável.
Ainda conforme estes mesmos autores, o fóbico social apresenta falhas no
processamento cognitivo, que tende a distorcer a avaliação de suas experiências
interpessoais. Ele mantém pensamentos patologicamente negativos acerca de si
mesmo, suas experiências e seu futuro; seletivamente procura evidências para
reafirmar sua visão negativa, reforçando suas crenças e mantendo os sintomas
cognitivos, comportamentais e fisiológicos. Os erros sistemáticos do
processamento cognitivo levam à manutenção dos pensamentos distorcidos do
paciente, apesar das evidências em contrário.
Modelos Integrativos
Modelo cognitivo-comportamental da fobia social
O modelo cognitivo-comportamental proposto por Heimberg, Juster, Hope e
Mattia (1995) procura integrar vários resultados de pesquisas e modelos
existentes. O modelo é baseado na presunção de que existe uma predisposição
para o desenvolvimento da fobia social, que pode ser herdada ou produzida por
fatores na infância ou na adolescência que sensibilizam o indivíduo para os
aspectos ameaçadores das situações sociais. Tais fatores podem incluir pais com
ansiedade social, padrões exagerados de perfeição no funcionamento,
superproteção e/ou isolamento dos contatos sociais. Estes mesmos autores,
indicam que estes fatores vividos na infância ou adolescência aumentam a
probabilidade de a pessoa entrar em situações sociais de forma apreensiva,
desta maneira sentindo muita ansiedade ou tentando evitá-las. Estas pessoas
formam cognições de que as situações sociais são perigosas e que a única
maneira de prevenir resultados negativos é evitá-las. Conseqüentemente tendem a
antecipar uma possível humilhação e embaraço, e devido a isto evitam as
situações sociais ou de desempenho; e quando não conseguem evitá-las sofrem em
demasia antes e durante a situação.
Modelo cognitivo da fobia social
Clark e Wells (1995) propõem um modelo cognitivo para a fobia social.
Neste modelo, o fóbico social é motivado a interpretar as situações sociais de
forma negativa e conseqüentemente sentir-se inseguro e/ou evitar estas situações.
Estas pessoas percebem as situações sociais e de desempenho como extremamente
ameaçadoras. Esta distorção da realidade resultaria de pensamentos denominados
de automáticos, pois surgem rapidamente e sem motivo real, desencadeando a ansiedade
social.
Segundo Clark e Wells (1995); Stopa e Clark (1993), os pacientes com
fobia social são fortemente predispostos a sentir que os outros os avaliam de
forma negativa. Esses pensamentos distorcidos provocam ansiedade e muitas vezes
atrapalham a realização do comportamento social, gerando desta maneira um
circulo vicioso. Também apresentam expectativas não-realistas sobre suas
habilidades para lidar com situações sociais, superestimam a probabilidade de
ocorrerem eventos sociais negativos e sentem-se constantemente criticados ou
desaprovados. Similarmente, Beck, Emery e Greenberg (1985); Lucock e Salkovskis
(1988), propõem a existência de uma falha no processamento da informação nos
indivíduos com fobia social, pois eles interpretam as situações sociais como mais
ameaçadoras do que realmente o são.
TRATAMENTO DA FOBIA SOCIAL
Atualmente os pesquisadores e clínicos têm focalizado sua atenção sobre
o tratamento com a terapia cognitivo-comportamental e a farmacoterapia na fobia
social (Liebowitz, 1999). Os inibidores seletivos de recaptação de serotonina
vêm constituindo-se como uma das principais intervenções farmacológicas na
fobia social (Schneider, 1995). Em relação à terapia cognitivo-comportamental
da fobia social, as principais técnicas que vêm sendo pesquisadas são a
exposição, reestruturação cognitiva, técnicas de relaxamento e treino de
habilidades sociais (Heimberg, 2001; Lincoln, Rief, Hahlweg, Frank, Schroeber
& Fiegenbaum, 2003). Muitas destas técnicas cognitivas e comportamentais
derivam de modelos psicológicos e biológicos dos transtornos de ansiedade.
TÉCNICAS COGNITIVAS E COMPORTAMETAIS
Técnicas de relaxamento
As técnicas de relaxamento ajudam o paciente a controlar sintomas
fisiológicos antes ou durante os eventos temidos. A principal técnica de
relaxamento utilizada é o Relaxamento Progressivo de Jacobson. Öst, Jerremalm e
Johansson (1981) sugerem que as técnicas de relaxamento são apropriadas a
pacientes com fobia social que apresentam intensos sintomas fisiológicos de
ansiedade durante uma situação social ou de desempenho. Os estudos mostram que
as técnicas de relaxamento facilitam a exposição do paciente à situação temida,
porém não são eficazes isoladamente no tratamento da fobia social (Jerremalm,
Jansson & Öst, 1986; Öst, Jerremalm & Johansson, 1981; Otto, 1999).
Treinamento de habilidades sociais
Segundo Argyle, Bryant e Trower (1974), as mais comuns técnicas usadas
no treinamento de habilidades sociais são a modelagem pelo terapeuta, ensaio
comportamental, reforçamento social e o treinamento realizado fora da sessão
(tarefas de casa). Os estudos que investigaram os efeitos desta técnica
relataram uma superioridade dela em relação ao placebo e à ausência de
tratamento (Argyle, Bryant & Trower, 1974; Falloon, Lindley & McDonald,
1977). Comparações com outras técnicas de tratamento, não-farmacológicas, da
fobia social não forneceram resultados consistentes (Shaw, 1979; Van Dam-Baggen
& Kraaimaat, 2000). O uso de técnicas de treinamento de habilidades sociais
tem sido recomendado para todos os pacientes com fobia social, quer manifestem
déficits de habilidades sociais quer não, pois este recurso tem se mostrado
bastante eficaz em reduzir a ansiedade no confronto interpessoal (Curran, 1982;
Heimberg, Juster, Hope & Mattia, 1995; Lincoln & cols., 2003).
Exposição
Exposição requer que o paciente imagine (exposição na imaginação) ou
confronte realmente (exposição ao vivo) os estímulos temidos. O primeiro passo
é construir junto com o paciente uma lista das situações temidas, do item que
causa menos ansiedade ao que causa mais ansiedade e desconforto (Wolpe, 1973).
As principais situações no tratamento da fobia social são falar diante de um
grande público, comer e beber em público, conversar com outras pessoas, etc.
(Lincoln & cols., 2003; Mersch, 1995). Nos estágios inicias do tratamento
com exposição, as situações são enfrentadas na companhia do terapeuta, até que
possa ocorrer a habituação da ansiedade no item da hierarquia que está sendo
confrontado. Após a exposição repetida e prolongada e quando a situação não
eliciar mais altos níveis de ansiedade e desconforto, passa-se ao próximo item
da lista de situações problemáticas. O processo continua até o paciente poder
enfrentar todos os itens da hierarquia com significativa redução da ansiedade e
do desconforto. Diversos estudos demonstraram a clara eficácia da exposição no
tratamento da fobia social (Fava, Grand, Rafanelli, Conti & Belluard, 2001;
Heimberg, Dodge & Hope, 1990; Lincoln & cols., 2003; Mattick, Peters
& Clarke, 1989; Mattick & Peters, 1988; Mersch, 1995; Newman, Hofmann,
Trabert, Roth & Taylor, 1994; Shaw, 1979).
Reestruturação cognitiva
A reestruturação cognitiva consiste em uma série de intervenções que se
originaram das teorias e terapias cognitivas de Beck, Emery e Greenberg (1985)
e Ellis (1962). Os pacientes com fobia social são ensinados a identificar estes
pensamentos, fazer o teste da realidade e corrigir os conteúdos distorcidos e
as crenças disfuncionais subjacentes. Esta reavaliação e correção das cognições
distorcidas permitem ao paciente perceber que na grande maioria das vezes
estava hipervalorizando negativamente uma situação e desvalorizando sua
capacidade de enfrentamento da mesma situação (Clark & Wells, 1995; Lucock
& Salkovskis, 1988; Taylor & cols., 1997).
Segundo Beck, Emery e Greenberg (1985); Clark e Wells (1995); Lincoln e
cols. (2003); Lucock e Salkovskis (1988) e Taylor e cols. (1997), basicamente
as estratégias de reestruturação cognitiva objetivam ensinar ao paciente as
seguintes modificações: observação e controle dos pensamentos irracionais e
negativos; exame das evidências favoráveis e contrárias aos pensamentos
distorcidos; e correção das interpretações tendenciosas por interpretações
calcadas na realidade, o que geralmente resulta em redução sintomática da fobia
social.
A técnica de reestruturação cognitiva procura desafiar diretamente as
crenças irracionais ou disfuncionais, modificando-as ou substituindo-as por
outras mais adaptativas. A técnica é aplicada tanto nos pensamentos que ocorrem
antes da situação social como naqueles que ocorrem durante e após a situação
temida (Clark & Wells, 1995; Taylor & cols., 1997).
Nesta abordagem de tratamento, as técnicas de exposição servem muito
mais para eliciar as cognições negativas do que para habituar à ansiedade gerada
pela situação social (Heimberg, 2001). Diversos estudos demonstraram que a
reestruturação cognitiva é uma técnica eficaz no tratamento da fobia social,
principalmente se for aplicada conjuntamente com técnicas de exposição (Lincoln
& cols., 2003; Lucock & Salkovskis, 1988; Mattick, Peters & Clarke,
1989; Mattick & Peters, 1988; McManus, Clark & Hackmann, 2000; Taylor
& cols., 1997; Turner, Beidel & Cooley, 1994).
STATUS ATUAL DA TERAPIA
COGNITIVO-COMPORTAMENTAL NA FOBIA SOCIAL
Na área da fobia social uma série de estudos de metaanálise reportaram
uma alta eficácia da terapia cognitivo-comportamental na redução da ansiedade
social (Feske & Chambless, 1995; Gould, Buckminster, Pollack, Otto &
Yap, 1997; Heimberg, 2001; Otto, 1999; Taylor, 1996). Por exemplo, a
metaanálise realizada por Feske e Chambless (1995) se concentrou na comparação
de estudos que testaram a terapia cognitivo-comportamental e estudos que
testaram somente a exposição no tratamento da fobia social. Os resultados
apontaram que ambas as modalidades de tratamentos são eficazes, com uma ligeira
superioridade da terapia cognitivo-comportamental sobre a técnica de exposição
usada isoladamente. Taylor (1996), em seu estudo de metaanálise, comparou
controles na lista de espera, placebo, exposição, reestruturação cognitiva, uma
combinação de exposição e reestruturação cognitiva e treinamento de habilidades
sociais no tratamento da fobia social. Nos resultados o autor encontrou que
todos os tratamentos incluindo o placebo foram superiores aos controles na
lista de espera que não estavam recebendo nenhum tratamento. Quando se
excluíram os controles na lista de espera, o placebo foi a forma de tratamento
que menos trouxe melhoras aos pacientes. A combinação de exposição e
reestruturação cognitiva foi o tratamento que trouxe os benefícios mais
significativos aos pacientes.
A abordagem em grupo da terapia cognitivo-comportamental vem recebendo
uma grande atenção dos pesquisadores, pois além das eficazes técnicas
cognitivas e comportamentais da própria terapia, o fator grupo vem a contribuir
em muito com os pacientes com fobia social, pois desta maneira diminui o
isolamento destes pacientes e age como uma forma de exposição (Heimberg,
Juster, Hope & Mattia, 1995; Heimberg, Salzman & Holt, 1993; Hofmann, 2004).
Em relação à combinação da terapia cognitivo-comportamental e da
farmacoterapia no tratamento da fobia social, os autores Gelernter, Uhde e
Cimbolic (1991); Heimberg, Liebowitz, Hope, Scheiner, Holt, Welkowitz, Juster,
Campeas, Bruch, Cloitre, Fallon & Klein (1998); Solyom, Solyom, LaPierre,
Pecknold e Morton (1981) relataram que o acréscimo da farmacologia é de extrema
valia ao tratamento cognitivo-comportamental, pois os medicamentos,
principalmente os antidepressivos, facilitam a aplicação das técnicas
comportamentais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A fobia social é um dos mais prevalentes transtornos psicológicos na
população geral. Seu correto diagnóstico e encaminhamento para tratamento
adequado minimizam, se não todos, pelo menos os principais efeitos negativos
que esta grave condição de saúde mental impõe a seus portadores. A terapia
cognitivo-comportamental e a farmacologia, segundo a literatura científica,
constituem-se hoje como as principais intervenções terapêuticas para os quadros
de fobia social.
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