terça-feira, 12 de novembro de 2013

Fobia social

Artigo Referencial

FERNANDES, Gabrielly Cruvinel  and  TERRA, Mauro Barbosa. Fobia social: estudo da prevalência em duas escolas em Porto Alegre. J. bras. psiquiatr. [online]. 2008, vol.57, n.2, pp. 122-126. ISSN 0047-2085.  http://dx.doi.org/10.1590/S0047-20852008000200007.



Fobia Social



INTRODUÇÃO

Fobia pode ser definida como medo irracional que provoca a esquiva consciente do objeto, da atividade ou da situação específica temida. A presença ou a antecipação da entidade fóbica provoca grave sofrimento no indivíduo afetado, que reconhece sua ação como excessiva. De toda maneira, a reação fóbica acarreta perturbação da capacidade de funcionamento do indivíduo.
Sabe-se que a ansiedade social excessiva afeta comumente crianças, adolescentes e adultos, comprometendo a sua qualidade de vida de maneira incapacitante. As crianças, principalmente as mais jovens, podem não reconhecer seus medos como exagerados ou irracionais. Assim, os critérios diagnósticos diferem em alguns aspectos daqueles utilizados para os adultos e o papel dos processos desenvolvimentos deve ser levado em consideração. As crianças se envolvem em diferentes tipos de interação social, que diferem dos adultos, e as habilidades cognitivas delas não permitem completa compreensão do transtorno.
Para as crianças e os adolescentes, a duração dos sintomas é crucial para a distinção entre a disfunção psicológica e a timidez transitória, de temores de avaliação social e da consequente inibição social que pode caracterizar crianças e adolescentes no seu desenvolvimento. Para jovens com menos de 18 anos, a duração dos sintomas deve ser de, no mínimo, seis meses, enquanto para adultos este período não é necessário.
Em amostras clínicas, o diagnóstico de fobia social é mais comumente feito em jovens do sexo masculino. Porém, em estudos epidemiológicos, as mulheres são afetadas com maior frequência do que os homens.
A fobia social, na maior parte das vezes, inicia-se na adolescência, tendo curso crônico e precedendo outras morbidades. As mais frequentes são fobia simples e depressão maior, além de aumentar o risco para transtornos de abuso do álcool. Segundo o National Comorbidity Survey (NCS), nos Estados Unidos, 81% dos pacientes com fobia social têm alguma comorbidade. Os transtornos comórbidos, de modo geral, são secundários do ponto de vista cronológico.
Entretanto, poucos adolescentes fóbico-sociais buscam tratamento. Os sintomas de ansiedade social são manifestados nos adolescentes, frequentemente na escola. Instrumentos práticos e validados para rastreamento e identificação de fobia social são bastante valiosos para serem usados pela equipe escolar (educadores, coordenadores, enfermeiras da escola). 
O reconhecimento dos transtornos de ansiedade conduz à melhora da qualidade de vida destes pacientes, podendo interferir no curso do alcoolismo e de outras comorbidades, uma vez que existem tratamentos farmacológicos e comportamentais específicos para estes transtornos.

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